O navio da suruba vai levantar âncora (e muito mais)

O Azamara Journey sai do Rio de Janeiro em 3/1/2015 e termina o giro uma semana depois, em Buenos Aires.

O Azamara Journey sai do Rio de Janeiro em 3/1/2015 e termina o giro uma semana depois, em Buenos Aires.

Além de Copa do Mundo e Olimpíada, o Brasil será sede em breve — pela primeira vez na história — de um cruzeiro para swingers. O povo do meio está em polvorosa e, com a proximidade da viagem, que sai em janeiro de 2015, até sites como o G1 noticiaram a parada.

Mas como funciona uma coisa dessas?

Nunca estive em um cruzeiro swinger, mas me hospedei em um resort exclusivo para esse público, no México. Os dois guardam muitas semelhanças. Em ambos, os casais praticantes se isolam com gente que compartilham das mesmas fantasias e, portanto, se sentem à vontade para se comportar naturalmente 24 horas por dia, sem encenar nenhum papel social. Também lá e cá a estrutura é toda montada para mimar esse público: o estafe tem treinamento específico e a programação de atividades vai além, digamos, do  bingo e da hidroginástica.

As diferenças, óbvias, são as mesmas que existem entre um resort comum e um navio comum. Enquanto o resort permite que o hóspede saia para ver o mundo lá fora quando estiver chateado por alguma razão, o navio em cruzeiro é sempre uma prisão luxuosa. Em compensação, é gigantesco e permite que o viajante conheça muito mais gente lá dentro, além de oferecer uma gama maior de atividades.

O Azamara Jorney, que sairá do Rio no dia 3 de janeiro para fazer o tour surubista até Buenos Aires, comporta aproximadamente 700 pessoas. É um navio de capacidade modesta. Há opções de cruzeiro swinger em barcos com 2500 lugares ou até mais. Mesmo com ingressos que custam a partir de 2150 dólares por sete dias de viagem, o Azamara já tem 3 dos 9 decks lotados.

Por ser um navio, há também algumas alterações no código de conduta swinger. Enquanto nos resorts o sexo é liberado em quase todas as dependências comuns, no navio a atividade é restrita às cabines e a áreas comuns especialmente designados para isso. O mesmo com a nudez, que fica limitada à piscina, aos terraços e a outros trechos com sinalização indicativa. Os motivos são dois. Nem toda a tripulação de um barco dessas dimensões recebe treinamento especial — algumas funções, que exigem conhecimento técnico, são ocupadas pelos tripulantes regulares — e fazer a limpeza de determinadas partes de uma embarcação pode ser complicado (daí o veto ao sexo na piscina). Para quem interessar possa, a agência Casal First Tour, que vende pacotes para o cruzeiro, lista toda a noma de conduta neste link.

Bate-papo sobre a Sociedade Secreta do Sexo no iba

Ontem eu participei de um bate-papo superbacana com a Stephanie Kohn Arranz, editora de conteúdo, do iba, loja e e-books da Editora Abril. No player acima, você pode ver a íntegra da conversa: é quase uma hora de prosa sobre minhas pesquisas para o livro — que, posso garantir, foram bem divertidas. Não vá embora antes de passar na lojinha (link AQUI) e adquirir a versão digital do livro.😉

 

Hangout, e-book… Quarta é dia de bate-papo digital!

ebook

Na próxima quarta-feira (16/7), a partir das 19h (horário de Brasília), estarei no IBA para um hangout (ou bate-papo, e preferir) com leitores e interessados em geral. O tema, é claro, são os bastidores de Sociedade Secreta do Sexo. Você poderá entrar online e fazer sua pergunta na hora, mas também dá para registrar sua dúvida desde já: é só entrar nesta página e usar um dos canais recomendados pelo IBA. Na saída, passe na lojinha e compre o e-book, ehehe. Vejo todos lá!

O livro Sociedade Secreta do Sexo, resenhado por swingers escritores

capa baixa

Acabo de ler a resenha de Sociedade Secreta do Sexo que o casal de swingers Marina e Marcio publicou ontem em seu blog. Fico extremamente feliz que eles se tenham dado ao trabalho de ler e comentar meu trabalho: o casal foi uma fonte fundamental para a apuração do livro e mantém o blog mais inteligente e bem-escrito do meio.

Marina — presumo que foi ela quem escreveu o post — classifica meu livro como “médio”. Sua principal crítica é que, como alguém de fora do swing, eu não captei o espírito da coisa e racionalizei o que deveria ser sentido. Entendo essa alegação: realmente minha perspectiva é externa, o que tem vantagens e desvantagens. Posso não ter conseguido absorver várias coisas de um meio totalmente novo para mim; em compensação, meu olhar foi atento a detalhes que escapam ao participante, que tem a objetividade comprometida pelo envolvimento.

O olhar do forasteiro não é melhor nem pior, é diferente. E, para celebrar a diferença, Marina e Marcio vão lançar seu próprio livro, intitulado provisoriamente Swing — O Prazer Proibido. Estou louco para ler e desejo-lhes muita sorte!

Segue abaixo o texto integral da resenha. Antes, porém gostaria de fazer duas pequenas observações: tomei todo o cuidado para não tratar o swing como algo “anormal” e, quando chamo Marina e Marcio de “ranhetas”, isso é uma brincadeira elogiosa. Seu blog tem um senso crítico muito acima da média.

Amigos

Falar sobre sexo sempre é interessante, né? É por isso que a mídia de uma forma geral vez ou outra lança reportagens e matérias sobre o swing. A maioria delas é sensacionalista e não agrega conhecimento real sobre essa prática para quem as lê. Mas este ano surgiu no mercado algo mais do que isso. O swing ganhou as livrarias da cidade com o livro A Sociedade Secreta do Sexo. Nós, Marina e Marcio, ajudamos na pesquisa desse livro e agora terminamos de ler tudinho. Quer saber o que achamos do resultado final?

Médio. O livro ocupa um monte de páginas com história, como surgiu o swing, como é fora do Brasil. Acontece que quem o escreveu foi um jornalista, cuja influência profissional exige que se explique o máximo possível. Só que o swing não tem muita explicação, a gente não quer saber de história, onde começou, porque aconteceu… a gente tem vontade de trocar e pronto. No livro ele cita vários textos daqui do blog e também várias ideias postadas aqui; nos chama de “ranhetas do swing” quando falamos sobre as coisas que não gostamos no meio. Tem gente que nos chama de “casal repórter” e tem outros que nos chamam de “metidos”. Mas a grande maioria nos chama de “gostosos”, “lindos” e “amigos” então se a gente for se importar com o que os outros pensam da gente, não seríamos swingers, seríamos políticos, não é mesmo?

O que nos faz classificar este livro como médio é que ele fala sobre o universo swinger mas com a visão de quem não faz parte do swing. E quem não faz parte do meio, ainda mantém o pensamento social “normal”, com um olhar voltado não para o prazer, mas para o estranho, o diferente, o bizarro, o anormal. Esse olhar do autor do livro é perceptível nas páginas da obra mas fica bem mais claro nas entrevistas de divulgação. E o swing não é isso. Mas de toda forma, recomendamos o livro para quem ainda não teve nenhum contato com o swing pois tem muita informação interessante, dicas de sites e experiências pessoais. Só não pode parar por aí achando que sabe tudo de swing só porque leu um livro.

Foi lançado outro livro sobre swing, dessa vez por um casal veterano no meio de Caraguatatuba. Este ainda não li, é recente, mas parece falar sobre casos reais, tipo contos eróticos. Escrever um livro que falasse a realidade sobre o swing é algo que temos pensado há muito tempo, antes mesmo de começarmos o blog. Quando vimos esses dois livros sendo publicados pensamos “porque não escrevermos um livro?” Já falamos sobre o tema há quase três anos aqui no blog e temos recebido elogios sobre a nossa forma de escrever, vamos encarar.

E foi o que fizemos. Na verdade, ainda estamos escrevendo mas vocês já podem ler pela internet e dar suas opiniões, sempre muito bem vindas. Por enquanto o título é Swing – Prazer Proibido e vocês podem clicar no link para abrir a página do livro e começar a leitura. O que mais queremos é contribuir para que o swing seja praticado por quem desejar, com o mínimo de traumas possíveis, e fazemos isso através das nossas experiências que vocês podem ler aqui o blog; e agora no livro também.

Beijossssssssssss

As loucas surubas de Nova York nos anos 1970

plato

O leitor André me escreveu perguntando se eu já havia ouvido falar de um clube chamado Plato’s Retreat. A resposta é sim, André, e falo desse lugar no livro.

O Plato’s Retreat (“Retiro de Platão”) foi uma das primeiras casas de swing escancaradas, com endereço público e louca para aparecer em reportagens. Ficava numa área caríssima de Nova York. Atraía a alta sociedade, além de algumas celebridades que se refestelavam em orgia de sexo e drogas no final dos anos 1970, antes de a Aids estragar a festa. Segue abaixo um trecho de Sociedade Secreta do Sexo que descreve o clube. Se você tem interesse em saber mais sobre ele, há este ótimo artigo em inglês, do site The Daily Beast.

 

Outro clube americano que fez história foi o Plato’s Retreat (“retiro de Platão”), aberto em 1977 no porão de luxuoso hotel Ansonia, no Upper West Side de Manhattan. Eram os últimos dias da euforia sexual que precedeu a descoberta da aids, e o clube novaiorquino fervia com celebridades – o cantor Sammy Davis Jr. e o ator Richard Dreyfuss, entre outros, eram frequentadores – misturadas a gente comum como motoristas de ônibus e professoras primárias. O lugar, apelidado de Club 54 do swing (uma referência à casa noturna mais famosa em Nova York na época) só admitia casais. Já haviam sido incorporadas caracterísiticas presentes nas casas de swing atuais, como divisão do espaço em duas áreas, uma social e outra reservada para a prática do sexo. Apenas casais eram admitidos. Na pista de dança, a roupa era opcional; na área reservada, a nudez era obrigatória – norma que persiste até hoje em muitos clubes americanos.

 

Em 1980, as reclamações dos vizinhos fizeram o Plato’s Retreat se mudar para uma locação bem menos charmosa no sul da ilha. Em 1981, surgiram as primeiras notícias referente à aids. Em 1985, a casa fechou. O swing saía dos holofotes e voltava a operar nas sombras.

 

 

Na suruba com os Rolling Stones

keith

Acabo de voltar da gravação de uma entrevista para o Amaury Jr., que me lembrou de um episódio sensacional que está no meu livro, mas que eu havia esquecido.

Foi numa orgia da Madame O em Saint Tropez, na França. Já era de madrugada, e as pessoas começavam a ir embora da festa. Eu resolvi ir também. Jacques, o anfitrião, se ofereceu para me acompanhar até o ponto em que uma van me levaria até o carro. Enquanto caminhávamos, ele soltou esta:

— Você viu o cara dos Rolling Stones na festa?

— Como assim? Não! Qual deles?

— O velho que toca guitarra…

— O Keith Richards? Não é possível. Eu o reconheceria.

— É ele, sim. Esta de cueca e camisa social, tomando um uísque na sala.

— Ah, cala a boca! Agora preciso voltar para ver se era ele mesmo.

Voltei, é claro. O que eu vi está no livro Sociedade Secreta do Sexo, à venda em tudo quanto é livraria física e online. Também revelo a história completa no programa Amaury Jr. que vai ao ar na próxima quarta, a partir das 23h30, na Rede TV!

 

Sobre camões

camao

Nada a ver com o poeta máximo de Portugal. Refiro-me às camas grandes. Muito grandes, como convém a uma boa orgia. O camão é o coração da suruba. Ele pode ser um colchão gigante ou a união de vários móveis, unidos ou não por um lençol. É nele que ocorre o sexo grupal. É nele que um casal pode deitar para ter seu prazer a dois, mas não pode se queixar se outros quiserem se juntar à brincadeira. Quem vai ao camão sabe com que está lidando.

É claro que nunca levei uma trena a uma orgia, mas posso dizer que a maior cama que vi em funcionamento estava na festa da Madame O na Itália — narrada no último capítulo de Sociedade Secreta do Sexo. Calculo que ela tivesse uns 30 metros quadros de área — mais que muito apartamento vendido na planta por aí. Na hora mais quente da suruba, 20 pessoas ou mais se divertiam sobre ela. Ficava em um lugar mal-iluminado, e o amontado humano tornava meio difícil de entender o que se passava aqui e ali, mas ainda assim foi uma visão impressionante.

Ninguém é de ninguém

 

Assim eram as tardes de lazer na comunidade de amor livre Sandstone, na Califórnia

Assim eram as tardes de lazer na comunidade de amor livre Sandstone, na Califórnia

A frase que dá título a este post costuma ser usada para definir o Carnaval brasileiro. Todos, no entanto, sabemos que não é bem assim. Ela não se aplica também aos swingers, que mantêm estreitos os laços matrimoniais enquanto se permitem variar os parceiros. Apenas um grupo retratado em Sociedade Secreta do Sexo faz jus ao “ninguém é de ninguém”: os adeptos do amor livre.

Essa é a turma mais difícil de definir e classificar, justamente por advogar a liberdade absoluta. Para eles, vale qualquer tipo de relação carnal ou sentimental, desde que todos os envolvidos estejam de acordo. Casamento aberto, poliamor, sexo grupal, qualquer coisa mesmo. Aparentemente, a única modalidade que eles não curtem muito é a bigamia convencional, que tolhe os outros modos possíveis de amar.

Sexo, direitos autorais... é tudo free

Sexo, direitos autorais… é tudo free

No livro, abordo superficialmente esse movimento, cujos participantes muitas vezes também são do swing e participam de orgias. O assunto rende histórias saborosíssimas, caso das experiências em comunidades como Sandstone, um grupo da elite econômica e intelectual dos EUA que morava em uma casa na Califórnia onde… ninguém era de ninguém. Se você tiver interesse de conhecer mais a fundo a galera do amor livre, aconselho fortemente a leitura de Amores Livres — Histórias de Pessoas que Amam Demais, uma coletânea de histórias fictícias baseadas em acontecimentos reais, de vários autores. Uma ótima notícia é que eles praticam o que pregam e liberaram o download do e-book. Basta clicar aqui.

Quando a polícia baixa na suruba

polícia

Pode não ser ilegal você fazer o que bem entender (no sexo, que fique claro, e sem abusar de pessoas ou animais), mas é melhor explicar isso de antemão ao dono do imóvel em que ocorre a suruba. Se esse cara descobre que o “aniversário” que você está promovendo é uma orgia, são altas a chance de ele chamar a polícia. E aí a coisa vai ficar feia, como ficou em uma festa em 2012 no hotel Mondrian de Nova York. A matéria original em inglês, no New York Post, está aqui. Abaixo, segue uma tradução resumida que eu publiquei em Sociedade Secreta do Sexo:

 

SWING INTERROMPIDO

 

Uma festa sexual de swingers na cobertura do Mondrian SoHo teve fim prematuro na noite de sábado, seguido de confronto entre a segurança do hotel e os organizadores do evento. Fontes nos disseram que a SiN White Party, promovida pela School of Sex, estava começando a pegar embalo quando os guardas do hotel exigiam policiar o evento. Assim que eles viram o que estava acontecendo, a festa foi encerrada e todos ordenados a sair – inclusive um casal exageradamente amoroso que insistia em transar na varanda da cobertura com vista para o skyline de Nova York.